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    Maria Belmoral
    MARIA REGINA - Maria Belmoral

    Quando se deu conta já passava das seis e a noite chegava com certa pressa.




    Primeiro abotoou a blusa porque julgava ser a peça mais difícil de vestir. Depois as meias, a saia, os sapatos. Passou os dedos entre os cabelos e retocou o batom para não deixar tão nítida a impressão de que acabara de sair de uma tarde inteira dedicada aos desejos de um homem.

    Respirou fundo, olhou para ele ainda deitado nu na cama, chamou o elevador e foi embora sem acordá-lo.

    Os insistentes faróis vermelhos não colaboraram, entrou em casa aflita com noite feita e os filhos se queixando de fome.

    Macarrão é o que há de mais rápido, porém o mais novo é alérgico, lamentou. Queria ser ágil, pensar rápido, mas o corpo ainda estava deliciosamente bambo. Enquanto cozinho o macarrão, frito o frango, vai dar tempo, calculou ao mesmo tempo em que se lembrou de que estava sem calcinha. Gostava de chegar assim aos encontros, mas sempre levava uma na bolsa para não entrar em casa desprevenida. Tal cuidado falhou naquela noite.

    Mesa posta e o corpo ainda bambo, cheirando a sexo, viu o marido abrir a porta e beijar as crianças.

    - Boa noite, meu anjo, como foi seu dia? – beijou-lhe os
    lábios e jogou a pasta no sofá.
    - Tranqüilo, o de sempre, você sabe...
    - Você está bonita!
    - Você acha?
    - Acho sim, seu cabelo, talvez... Fez alguma coisa diferente?
    - Aparei as pontas. – Mentiu desconcertada.
    - Vou tomar uma chuveirada, vem comigo?
    - As crianças estão famintas, vai você enquanto sirvo o jantar
    a elas, depois poderemos comer sossegados.

    O marido concordou e lhe beijou outra vez passando a mão pelo seu quadril indiscreto.

    Com medo que ele notasse a ausência da calcinha ela puxou-lhe bruscamente a mão e emendou:
    - Vai para o banho, querido, não demora que também eu
    tenho fome.

    Correu para a lavanderia e vestiu a calcinha que secava no
    varal.

    Os filhos comeram e foram dormir não sem antes reclamarem que a mãe faltara na reunião de pais naquela tarde.

    Mais calma encheu um copo de vodka e gelo, sentou no sofá e observou o marido que voltava do banho vestindo bermuda. Já era tarde, iam jantar, mas o telefone estranhamente tocou.


    Maria Belmoral
    12/março/08



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    gosto desses assuntos tratados assim11/07/2008 10:41:22
    Erotismo suave, mas direto e sensual.----------------Postado por Jorginho da hora



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