 Grande parte desse mundo, porém, está ocupado, promovendo o genocídio praticado literalmente pela coalizão da Grã-Bretanha, EUA, Austrália e Nato. Pecam pelo silêncio os aliados, cúmplices e satélites. O mandamento Não Matarás está sendo violado em pelo menos três países ocupados por cristãos e judeus: Palestina, Iraque e Afeganistão. Como ocorreu com o genocídio judeu, o mundo finge ignorar o genocídio muçulmano.
Segundo o grupo de pesquisa epidemiológica liderado pelo dr. Burnham na Universidade John Hopkins, de Medicina, já morreram de 700 a 900 mil civis no Iraque. São mortes que poderiam ter sido evitadas, que não deveriam ter ocorrido. Na Palestina, ocupada por forças israelenses, já morreram cerca de 200 mil civis. No Afeganistão ocupado por soldados de Bush e aliados, o número de vítimas fatais sobe para 2 milhões e 100 mil.
Os EUA, Israel e Associados sabem que estão violando a Convenção de Genebra, cujos artigos 55 e 56 tratam da proteção que os invasores devem prover para a população civil do país invadido. Isso significa acomodações, comida, bebida, assistência ambulatória e hospitalar. O artigo 56 enfatiza a obrigação do poder invasor de, em cooperação com as autoridades locais, providenciar rigorosos padrões higiênicos e fiscalizar bens perecíveis para evitar a propagação de epidemias, adotando medidas de profilaxia. E a todos os médicos e enfermeiras do país ocupado deve ser dada a liberdade de cumprir seus deveres.
Todos os meses, desde a invasão em 2003 (a ocupação está durando mais do que a 2ª Guerra), 100 mil iraquianos deixam o país com medo da peste e da morte. Até hoje, segundo o jornal australiano Melbourne, cerca de 2 milhões de iraquianos fugiram para a Síria, Jordânia e Líbano, causando profundas inquietações sociais nesses países. A Organização Human Rights Watch estima que existam 3 milhões e 700 mil refugiados afegãos. Estima ainda que há 6 milhões de palestinos refugiados. Cerca de 80 mil deixam todos os anos o território ocupado pelos soldados israelenses, para não falar dos 80% de cristãos que abandonaram a Cisjordânia e retornaram ao Líbano, sobretudo para as colinas do Golan.
De acordo com o artigo II da Convenção de Genebra, o que caracteriza o genocídio? A resposta: qualquer tentativa de destruir no todo ou em parte qualquer grupo nacional, étnico, racial ou religioso. É proibido, portanto: matar; causar severos danos físicos ou mentais; infligir condições de vida com a intenção de causar destruição física parcial ou total; impor medidas com a intenção de impedir nascimentos; transferir à força crianças de um grupo para outro.
Eis os números do infanticídio em massa: 200 mil, 400 mil e 1 milhão e 700 mil, respectivamente, nos seguintes países ocupados: Palestina, Iraque e Afeganistão. Para a Divisão Populacional das Nações Unidas, 90% dessas mortes poderiam ter sido evitadas se a Convenção de Genebra não fosse tão brutalmente estuprada.
Não creio que possamos esperar muito da ONU. Seu último presidente só encontrou coragem para dizer, em seu último discurso, que os Estados Unidos, liderados por Bush, não podem comportar-se como xerifes do mundo. O novo presidente, se não me engano, é sul-coreano o e não faço muita fé num país que é satélite dos Estados Unidos.
E quanto a nós, leitores? Peço-lhes pouco. Que pensem em todas as crianças do mundo, especialmente as que sofrem, como as que são obrigadas a se prostituir no Brasil, e aquelas que vêm sendo sistematicamente assassinadas na Palestina, no Iraque e no Afeganistão. São crianças que não têm Papai Noel e para as quais Jesus foi apenas um bom profeta. Isso, porém, não as torna menos dignas de amor e carinho, não é mesmo? Feliz Natal.
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