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Depois da eleição do Padre Fernando Lugo para a presidência do Paraguai, a situação do comércio e do contrabando bilateral com o Brasil, ficou ainda mais complicada. Os comandados de Lugo, cansados de receber uma mixaria pelo kilowatt-merreca, resolveram subir o preço de todos os seus produtos contrabandeados.
Já os brasileiros contra-atacaram e se negaram a levar para o país vizinho os carros roubados aqui. “Pô, a gente tem o maior trabalho de roubar no Rio e São Paulo, viajar até Foz do Iguaçu, esquentar a placa no Paraguai e voltar pro Brasil e o caras querem fazer jogo duro, qual é?” – reclama Rinaldo Souza, ladrão de carros de Copacabana.
Quem também não está nem um pouco feliz com isso, são os sacoleiros que trabalham na Ponte da Amizade Abalada: a tal ponte que liga um IPod baratinho no Paraguai a um ouvido brasileiro. Os muambeiros estão temerosos com o possível prejuízo. A Associação Brasileira e Paraguaia de Trabalhadores da Indústria do Contrabando avalia que pode faltar dinheiro da propina para os policiais, caso o governo paraguaio resolva cumprir suas ameaças e aumentar os preço de eletrônicos, cds piratas e quinquilharias.
Todos temem uma retaliação ao baixo preço da eletricidade paga pelo Brasil. A verdade é essa, o que era fonte barata e farta de energia elétrica, agora está igual a um verdadeiro uísque paraguaio: só dá dor de cabeça.
Gilmar Rodrigues
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O Lobo, 17/5/08
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