Bruno Dorigatti
09 / 09 / 2008

Fausto se diverte no lançamento de A milésima segunda noite, em 2005.
Fotos de Cristina Carriconde.
Mais conhecido como Fausto Wolff, o escritor e jornalista gaúcho deixa um vazio no tipo de jornalismo que praticava, sem meias palavras, sem se render aos entendimentos baratos e de conveniência, nem ao comportamento que muitos – senão a ampla maioria – dos coleguinhas não se cansam de ter, do peleguismo e do bom tom de sempre fazer uma média para ficar bem, seja com os adversários, patrões ou ocupantes temporários do poder, político e econômico. Fausto não fazia média, inclusive com os amigos, era de uma sinceridade atroz, que a muitos incomodava, ao mesmo tempo em que demonstrava também ter um coração enorme, que faziam juz à sua grandeza de quase dois metros de altura.
Natural de Santo Ângelo, interior do Rio Grande do Sul, aos 14 já freqüentava a redação do Diário de Porto Alegre, na capital gaúcha. Ainda na terra natal, certa vez foi reprimido pelo gerente de uma livraria. Fausto, vez por outra, como relatou em crônica de 2007, surrupiava os livros que não tinha condições de comprar. O gerente fazia vista grossa, mas o ávido leitor pensou que estava por enganá-lo. Quando, um dia, tentou levar um baralho, só ouviu o grito: "Livro pode, baralho não". Sintómatico do país que somos e o qual o jornalista tentou transformar.
Aos 18 anos, já estava no Rio de Janeiro, e passou por alguns das dezenas de jornais diários que a capital então possuía. Em 1966, saiu o Acrobata pede desculpas e cai, seu primeiro romance, que exala algo de autobiográfico na história de um jovem rapaz não adequado tampouco adaptado à vida e o mundinho da sociedade carioca, que o narrador resvala ao engravidar uma de suas integrantes. De certa forma, insinua-se o outsider que ele sempre foi. E o livro fez com que Bukowski voltasse ao seu devido lugar, ao menos para este escriba, que considera o lirismo similar ao que alcançou John Fante. Certa vez perguntei ao Fausto sobre isso, ele não falou com muita ênfase sobre nenhum dos americanos.
No final daquela década, juntou-se à turma do Pasquim, jornal que ajudou a levar para fora de Ipanema, o humor, a crítica, o despojamento e, ao mesmo tempo, a profundidade que os anos obscuros da ditadura exigiam. Muitos apostavam que o hebdomadário não venderia bem nem no centro da cidade. Pois em semanas estava tirando mais de 200 mil exemplares, com um público fiel em São Paulo. Recentemente, a editora Desiderata lançou os dois primeiros volumes da antologia do jornal. Ali, Fausto não compareceu, infelizmente, e faz uma falta enorme, em meio aos textos, cartuns, ilustrações, desenhos e entrevistas do que o melhor do jornalismo tupiniquim produziu na segunda metade do século que se foi.

Conheci o velho lobo no final dos anos 1990, em Florianópolis, primeiro nos textos da revista Bundas, projeto de parte da turma do Pasquim, capitaneada por Ziraldo e o irmão Zélio, e, logo em seguida, pessoalmente numa palestra, mais para um bate-papo informalíssimo, na Universidade Federal de Santa Catarina. O papo só começou depois de provindeciarem a garrafa de uísque, que geralmente ele secava nesses encontros. Pouco falou e ficou aberto para responder as perguntas dos presentes, falando o que pensava da situação do país e do mundo, sempre de seu ponto de vista, ácido, de certa maneira cético, mas ciente de que se algo poderia ser feito para alterar essa dura realidade seria através da exposição e escancaremento dessa torpeza e loucura que nos cerca, e que cada vez mais vamos aceitando como natural.
No Rio, estive algumas poucas vezes com ele. Bebendo cerveja e uísque, comendo patê de linguiça, comentava o desapontamento com o atual governo, que começou a criticar no Pasquim 21, tão logo Lula assumiu. Falou sobre o magistral trabalho que realizou frente a Fundação Rio, editado em livro em Rio de Janeiro: um retrato da cidade contada pelos seus habitantes. Os anos 80. Quando dirigiu a Fundação Rio, colocou uma dezena de jovens repórteres a percorrer a cidade atrás destes 200 personagens singulares que atravessam as mais de 700 páginas do volume, entre eles um gari com 13 filhos, o catador de papel, o cambista, o delegado democrata, a telefonista linha-dura, o cirurgião plástico, a manicure de Pernambuco, o médico de bonecas, a dama da alta, o detetive particular, um camelô politizado etc. Recontou com entusiasmo algumas dessas estórias, como a do michê dos cines pornôs, e de um dono destes botecos minúsculos e escondidos, ambos do centro da cidade que ele muito freqüentou. E apontou a falta de trabalhos assim hoje, que consigam refletir um pouco da alma da terra e de sua gente.
Outro volume arrebatador de sua lavra se chama À mão esquerda (Bertrand Brasil), catatau de mais de 500 páginas, trama que mistura a história de sua família, lá no Rio Grande do Sul, desde as origens dinamarquesas, remontando aos tempos do velho bardo inglês que por lá esteve para ambientar e, segundo a licensa poética, encenar talvez a sua peça mais conhecida, Hamlet. Trabalho magistral, chegou a levar o Prêmio Jabuti em 1997.

Fausto escreveu ainda peças de teatro, deu aulas de literatura brasileira em Nápoles, Itália, e Copenhague, Dinamarca, trabalhou na TV e produziu muito nestes 54 anos de labuta incansável a serviço do jornalismo e da literatura neste país. Lançou 17 livros, entre romances, livros de contos, de poesias, reportagens, coletâneas de artigos na imprensa. A milésima segunda noite (Betrand Brasil), é outro catatau com mais de 700 páginas lançado em 2005, com 1.002 estórias, histórias, aforismos, contos, crônicas, memórias, pensamentos. Ainda em 2005, a Editora Revan lançou a tradução e adaptação do gaúcho para o primeiro volume das obras dos irmãos Grimm, que contava com excelentes notas de contextualização histórica, também elaboradas por Wolff. Sempre que alguém o visitava, negava exemplares alegando que vivia da escrita, e por isso tinha que vender seus livros, sempre com a ironia repleta de sinceridade, como a que se segue. Uma vez, em homenagem à sua pessoa na terra natal, um ilustre médico levantou-se e pediu a palavra para recitar uns poeminhas, onde também se arriscava. Fausto não titubeou e pediu o bisturi, já que, como poeta, vez por outra cometia também suas cirurgias. Era assim, o Fausto. Direto, sincero, ácido, verdadeiro, querido e atencioso com os seus, que via escassear ano a ano, em uma cidade que ainda reconhecia, sem mais reconhecer seus habitantes.
Estive com ele a última vez em junho, 20, uma sexta-feira. Visitei-o em sua casa, na Avenida Atlântica, onde morou nos últimos anos, sempre no térreo, pois o importante era estar à altura do bairro, da cidade, das pessoas que por ali circulam. Estava recluso, por ordens médicas, sem poder sair de casa. Um pouco chateado com isso. Um ano sem beber, ele que era inveterado beberrão, fato que também o aborrecia, embora não chegasse a ter nenhum dos trejeitos e crises de abstinência dos alcoólatras. Só as pessoas ficavam mais chatas. O cigarrinho, ainda fumava, mesmo depois da broncoembolia pulmonar. Despedimo-nos e nessa última visita ele soltou uma gargalhada, falando que em breve poderia circular pelo bairro, até ao bar mais próximo, pelo menos, e convidou a retornar. Não deu tempo.
Já me falaram para tomar cuidado, senão acabaria como o velho Fausto, comunista e alcóolatra, no caso. Desdenhei. O comunismo não me é possível, nascido que fui em 1978 e criado nos anos 1980 que viram as tentativas distorcidas e hipócritas dessa forma de governo ruírem por si só. O que não quer dizer que não concorde com a sua definição de democracia, para mim, uma das mais exatas: "democracia sem socialismo é mentira e socialismo sem liberdade é tirania". Alcoólatra tampouco, pois embora goste de uma cerveja, estou a anos-luz da competência e capacidade etílica do Fausto para se dedicar com afinco (e, bem, mesmo assim ele escapou dessa). A comparação serve para além dos estereótipos e não seria nada mal ter a memória enciclopédica, a verve crítica, a estilística caprichada, a sinceridade acima de tudo, e a qualidade literária de Fausto Wolff. Tenho a noção de que caminho longe disso tudo. Mas como um exemplo, Fausto serve e sobra. A neblina aumenta, o frio e a chuva nesta segunda-feira em que Faustin von Woffenbüttel foi cremado continuam. Merda.
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No dia 19 de junho de 2004, um sábado, Eduardo Goldeberg, Fernando Toledo, Gustavo Dumas e Betinha passaram uma agradabilíssima tarde no Bar Brasil, na Lapa, em companhia de Fausto Wolff. Naquela tarde, Fausto comentou sobre esses e outras temas. Aqui, a entrevista completa.
[Jornalismo de hoje]
Eu acho que é um jornalismo de merda. Acho que é um jornalismo de merda porque ele não leva o povo em consideração. Porque ele faz um jornalismo imparcial. Eu sou um jornalista parcial. Entre o bancário e o banqueiro eu vou escrever sempre a favor do bancário.
[Os colegas]
Jânio de Freitas, Millôr Fernandes, Carlos Heitor Cony, Veríssimo, os irmãos Caruso, Angeli, é... Glauco, Nani, enfim, a grande, grande maioria são cartunistas, o que também é mais fácil porque o poder perdoa o que vem em chave de humor, e quando você mostra, por exemplo, um... um pitbull como se ele fosse um poodle de divã, todo mundo acha graça, mas o pittbull não deixa de ser um pitbull.
[O rebelde e o revolucionário]
Há uma diferença fundamental entre o rebelde e o revolucionário. O revolucionário sabe que o poder corrompe sempre, o revolucionário sabe que o capitalismo é um sistema selvagem sim, o revolucionário sabe que ele não pode abrir a guarda. O rebelde, ele só é rebelde até ser convidado à mesa do poder. Eu conheci vários rebeldes durante os meus cinqüenta anos de jornalismo; estão todos n´O Globo hoje, e eu ensinei eles a escrever.
[Rio de ontem, Rio de hoje]
Porque hoje eu estava verificando, além de vocês e alguns poucos amigos, sobrou pouco do meu Rio de Janeiro. Eu reconheço a cidade mas não reconheço os habitantes. A maioria das pessoas tornou-se rude e não gentil. O carioca era por natureza gentil, cordato, cordial, prazeroso, sem ser puxa-saco. Hoje nós vemos as pessoas que não têm esperanças e não têm perspectivas e estão apenas aprisionadas a um emprego, e que te tratam mal porque sabem que não vão poder tomar um chope na esquina, porque esse chope vai representar um litro de leite a menos na casa deles. Essa é a herança que o militarismo passou pro neoliberalismo.
[Politicamente correto e a arte]
Meus amigos vão continuar me chamando de Alemão, vão continuar me chamando de Gigante, vão continuar me chamando de Vara Pau, tá entendendo? E eu quero continuar chamando meus amigos judeus, "fala, Jacó!", e o crioulo, "fala, crioulo!" e assim por diante, porra! No momento em que você começar a colocar uma ordem na língua do povo, no linguajar do povo... essas coisas elas só podem e devem ser perseguidas quando elas vêm de cima pra baixo, quando são nazistas que fazem através dos meios de comunicação você odiar os judeus, você ta entendendo?, quando são os americanos dos anos 20 mostrando que os negros todos são palhaços, são idiotas etc. Qualquer coisa que saia do povo para o meio de comunicação é arte. Aquilo que vai do meio de comunicação pro povo é imposição de arte. Isso vale pra qualquer coisa.
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Santa de casa

Fausto Wolff também se lançou na carreira cinematográfica. Participou do curta de animação Santa de casa, onde interpreta a si mesmo, revivendo as estórias lendárias, quando disputava queda de braço nos botecos da cidade, empresariado por Jaguar, contando o dinheiro na imagem acima, enquanto Fausto se preprara para mais uma peleja.
Eis a sinopse:
Baseado no conto "Santa Milagrosa", de Aldir Blanc, foi adaptado para o cinema por Allan Sieber e Leonardo Rodrigues (chargista do jornal Extra, no Rio) e conta com "personagens" – com suas respectivas vozes – como Jaguar, Fausto Wolff, Paulo César Pereio e o próprio Aldir Blanc, que compôs um samba inédito para a trilha sonora. A direção de animação ficou a cargo de Fernando Miller e os cenários são de Fabio Zimbres, que passou dois meses no Rio desenhando as ruas e botecos da cidade. Trilha sonora de Flu, parceiro de longa data da Toscographics.
> Para assistir ao filme, entre aqui e clique no cartaz de Santa de casa.
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> Leia o primeiro capítulo do último romance lançado por Fausto Wolff, Olympia
> O Mito de Fausto, por Arnaldo Branco
> Entrevista ao Fazendo Media
Parte 1 e Parte 2
> Desenho do adeus, por Paulo Caruso, e a última crônica de Fausto
> Memórias de Fausto Wolff, por Paulo Polzonoff
http://www.polzonoff.com.br/memorias-de-fausto-wolff.htm
> Joca Terron
http://jocareinersterron.wordpress.com/2008/09/06/335/
> Fausto fala sobre sua passagem pelo Vietnã na época da guerra
Nota do editor de O Lobo: Este vídeo foi produzido pelo catunista Latuff, que homenageia Fausto no Centro de mídia Independente, conforme texto abaixo
[ Minha homenagem a Fausto Wolff (por Latuff)
Como homenagem ao jornalista Fausto Wolff, falecido na noite desta sexta-feira, cuja coerência conquistou minha admiração e respeito, deixo aqui um vídeo que fiz com ele no dia 25 de janeiro de 2007.
Descanse em paz, Fausto.
http://www.youtube.com/watch?v=3N3gsNOlGZw
Email:: latuff@uninet.com.br
URL:: http://www.youtube.com/watch?v=3N3gsNOlGZw ]
Fausto Wolff: aula de como não morrer
Ao sofrer uma isquemia, Fausto Wolff fez questão de contar em crônica no Jornal do Brasil, onde escrevia nos últimos anos, como é que se faz para viver com restrições médicas e fugir do hospital. Isso foi em 2006.
Outro dia quase bati as botas. Fechado o expediente, fiquei bebendo uísque enquanto olhava o mar. À medida que bebia, mais o mar se agitava, me agitando também. Tive uma idéia genial e voltei ao computador, mas - vejam só - não conseguia escrever as frases direito. Era sempre aprotaledo pelas pavrolas. Retornei à janela, fiquei vendo o mar e tendo idéias geniais. Bebi mais algumas doses de uísque e, quando minha mulher voltou do trabalho (é, meus filhos, alguém tem de prover), contei-lhe o que ocorrera. Ela: ''Você teve um princípio de enfarte ou um princípio de isquemia'', e, sob meus discretos protestos, arrastou-me ao hospital.
Colocaram-me num leito ao lado de muitos outros, separados por um lençol. Braços furados por mil agulhas, fui vítima de um clister e do resultado do clister, tudo isso em meio a dezenas de pessoas que fingiam ignorar minha indiscreta performance. Lá pelas nove da manhã fugi do hospital e fui caminhando por Ipanema. Acabei num boteco em frente ao estúdio do Millôr, na Gomes Carneiro. Tomei um conhaque, comi um sanduíche de pernil e fumei um cigarro. Bateu-me a vontade de escrever um poeminha. Pedi lápis e caneta, mas as mãos não obedeciam ao cérebro.
Só depois de desenhar mentalmente a letra é que conseguia reproduzi-la no papel e ainda assim muito mal. Desisti do poema e fui pedir a opinião do Millôr, que há 50 anos é uma espécie de irmão mais velho. Aconselhou-me a voltar ao hospital, o que fiz de táxi desta vez. As enfermeiras me receberam de braços abertos e nem me torturaram. Tivera mesmo uma isquemia. Três dias depois, feitos todos os exames, me mandaram embora e proibiram-me de fazer as três coisas de que mais gosto: ver Manhattan Connection, discutir com adolescentes e ler originais não solicitados.
Caíram nessa? Não acredito. É isso mesmo que vocês pensaram. Estou proibido de fumar, beber e procriar, pois, no meio de uma dessas atividades, o sangue pode derrapar na veia e sair da pista da minha vida, que pode não ser grande coisa mas é minha. Por isso nunca mais fumei, bebi e procriei ao mesmo tempo. Tudo tem seu tempo certo.
Por que conto esta história? Porque o Antonio Carlos Poerner, o alemón que veio do Manguêrrrra, disse que uma sua amiga havia caído durante um churrasco. Ela levantou-se imediatamente e culpou os saltos altos pela queda. Ingrid, este o seu nome, estava um pouco agitada e alguém sugeriu que chamassem um médico. Ela recusou. Saiu às cinco e meia e às seis o marido ligou dizendo que ela havia morrido.
Como acho que os jornais deveriam ser os defensores dos que não têm advogado, além de órgãos de utilidade pública, vou salvar algumas vidas transmitindo informações. Se um neurologista conseguir examinar o paciente nas três horas após o derrame, poderá reverter o quadro. O truque é reconhecer, diagnosticar a anomalia e chamar o médico. Quando alguém der a impressão de que está tendo um derrame peça-lhe três coisas: 1) Sorria; 2) Levante ambos os braços; 3) Diga uma sentença simples coerentemente. Por exemplo: ''Adoro os seus livros'' ou ''Leio sempre suas colunas'' ou ''Está fazendo um calor do cão''. Se a pessoa tiver problemas para executar qualquer uma dessas tarefas chame um médico, ou melhor, um médico e ambulância.
Segundo Poerner, após terem descoberto que um grupo de voluntários não médicos poderia identificar fraqueza facial, muscular e mental, investigadores incentivaram a população a aprender as três ações. Apresentaram suas conclusões à Associação Americana de Cardiologia, em fevereiro de 2005, e graças a isso inúmeras pessoas deixaram de conhecer Tupã antes do tempo.
Toda vez que vejo um burguesão abastado desses enchendo a boca e dizendo que vivemos numa democracia e que vivemos esta vida de m.... por falta de educação, saúde e justiça, baixa em mim uma raiva mais pesada do que um trator. Quem não quer saúde, educação e justiça é exatamente a classe dominante, que não existiria com educação, saúde e justiça para todos.
Mas deixem-me acabar a aula de hoje. Pode ser que Deus não exista e nesse caso não diremos ''Meu corpo'', mas ''Eu corpo''. Por que então em vez de ensinarem às crianças os afluentes do Amazonas, não ensinam a elas primeiros socorros e as três lições para reconhecer um derramado? Também serve ajudá-las a descobrir quem são, onde estão, onde vão e por que vão para onde pretendem ir.