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Paulo Caruso
ESPECIAL PARA O CADERNO B
Nada mais frustrante do que abrirmos o Caderno B e não darmos de cara com a coluna do Fausto Wolff. A melhor tradução dessa sensação de vazio foi dada pelo leitor José Galvão Castro, aqui do Rio de Janeiro, em sua carta publicada em 11 de setembro, data emblemática para perdas e danos. Desculpando-se por não ser crítico literário, exerceu sua crítica com maestria, dizendo que "morrer acontece com o que é breve e passa sem deixar vestígio. Fausto Wolff, nos seus escritos, é eterno."
Divido com ele essa mesma sensação de vazio.
É como se, ao abrirmos o B, déssemos de cara com um buraco, um enorme buraco negro que nem as impensáveis acelerações de partículas serão capazes de reproduzir.
Um vazio que preenche uma lacuna, a lacuna deixada pela coluna que, de uma hora para outra, deixou de existir.
Não sei quando exatamente esse espaço foi conquistado.

Os obituários fizeram muita questão de ressaltar a origem humilde do nosso Natanael Jebão, e talvez resida aí a identidade que logo o colunista estabeleceu com os deserdados, o que o fazia invariavelmente postar-se de pé, à cabeceira da mesa, e em vez de, como sói acontecer, tilintar num copo de cristal para exigir silêncio, começar a entoar a Internacional Socialista.
Não era nada fácil agüentá-lo, daquele tamanho, em seus momentos de carência.
Imagino o que não significou para o Jornal do Brasil, sua última guarida na libertinagem de expressão, acolhê-lo diante de pressões e resmungos de setores mais conservadores.
Ainda assim, Fausto conquistou bravamente seu espaço, com seu humor, sua sofisticação intelectual, seu apego à causa palestina, que o fez posar orgulhoso ao lado do ainda não vitimado Yasser Arafat, no Fórum Social Mundial em Porto Alegre – uma dessas alternativas que o mundo capitalista gentilmente nos oferta.
Quem procura acha, e o Fausto achou seu espaço no coração de todos nós, seus leitores nem tão assíduos nem tão vorazes, mas encantados com a personalidade que ele nos oferecia a cada crônica.
Como não existe doença mais crônica do que a própria vida, uma boa idéia seria essa sugerida pelo leitor José Galvão, que, para matar a saudade, foi correndo pegar o ABC do Fausto Wolff e viu uma manhã cinzenta se transformar num dia de sol radiante.
Por que não transformarmos o espaço perdido pelo colunista que nos deixou em uma celebração constante daquilo que nos foi legado por ele, terna e eternamente?
No mesmo espaço, na mesma página, uma republicação de tudo que já foi dito por ele e não demos a devida atenção.
O Jornal do Brasil, como sempre inovador e revolucionário, para não perder a mania, selecionaria uma crônica diária do nosso querido Fausto Wolff, o que nos ajudaria, e muito, a depurar o descartável nos jornais que embrulham o peixe do dia seguinte.
Eu topo!
Cartas para a redação...
JB, 14 de setembro de 2008. |